terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pouca saliva faz aumentar número de cáries

Um dos fatores diretamente associados ao aumento de cáries é o baixo fluxo de saliva. Essa relação acaba de ser comprovada em um estudo realizado na Universidade de Brasília (UnB) por Soraya Leal, professora do Departamento de Odontologia (ODT) da instituição.


“A literatura científica mundial demonstra uma certa inconclusão sobre a relação da saliva com as cáries”, disse Soraya à Agencia FAPESP. “Por conta disso, resolvemos mostrar essa relação na prática, por meio de análises laboratoriais em 60 crianças”, explica. Das 35 crianças que não tinham cárie, todas apresentavam fluxo salivar entre normal e alto. Em contrapartida, as outras 25 que tinham dentes cariados apresentaram pouca saliva.

Os pesquisadores fizeram ainda uma revisão sistemática, por meio de bancos de dados na internet, de artigos sobre o assunto publicados em revistas científicas internacionais. “Com base em 70 trabalhos científicos concluímos que a probabilidade de o indivíduo apresentar cárie é bem maior quando a produção de saliva é menor do que 1 mililitro por minuto”, afirmou Soraya.

O estudo da UnB também verificou a relação da cárie com o pH da saliva. Nas crianças que apresentavam pH salivar neutro, entre 6 e 7, o problema não foi identificado. Entretanto, as cáries foram mais freqüentes em crianças que apresentavam uma saliva mais ácida, com pH menor que 5.

Soraya explica que para manter estável o fluxo de saliva na boca e evitar o Streptococcus mutans, bactéria causadora das cáries, o indivíduo precisa ingerir bastante água. Outra opção é a ingestão de alimentos sólidos. Como mastigá-los requer um esforço maior das glândulas salivares, a produção de saliva acaba aumentando.

“Existem alimentos, no entanto, que fazem com que o Streptococcus mutans prolifere bem mais rápido. E como a maior parte das pessoas já sabe, o açúcar é o grande vilão das cáries”, alerta a pesquisadora. Segundo ela, por ser um componente natural da boca, a saliva é o primeiro defensor contra a cárie, devido às suas propriedades antimicrobianas. "Se o fluxo salivar cai, o pH também diminui. E o pH da saliva é responsável pelo controle dos minerais do dente."

AGÊNCIA FAPESP


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cimento de cálcio melhora recuperação de tratamento de canal e reduz custo














Um cimento composto à base de aluminato de cálcio, material utilizado em larga escala na construção civil, deve cortar pela metade o custo de um procedimento dentário que envolva tratamento de canal. O material é usado no cimento refratário e é capaz de suportar altas temperaturas com aplicações em fornos siderúrgicos. As informações são da Agência USP.
O novo material, chamado EndoBinder, foi testado e aprimorado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) e desenvolvido pela Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), com tecnologia transferida para empresa privada.
Além do custo menor, o material mostrou melhores resultados no selamento de perfurações dentárias radiculares, ou seja, perfuração de raízes simples e duplas, chamadas de furca de dentes. É o que explica a professora Fernanda Panzeri Pires de Souza, coordenadora das pesquisas e responsável pelo Laboratório de Análise de Biomateriais, da USP Ribeirão Preto.
- Nos testes biológicos, em ratos, verificamos que ele trouxe um resultado mais benéfico que o material atualmente utilizado, principalmente na recuperação do tecido no local, pois causa menor inflamação.
De acordo com a professora, o EndoBinder também manchou menos os dentes.
- O material que está hoje no mercado, ao final de um ano, apresentou aspecto acinzentado, enquanto o EndoBinder não mostrou diferença visual na aparência do dente ao final do mesmo período.
As perfurações de raízes podem ocorrer tanto por acidente, durante o tratamento do canal, como por processo inflamatório no local. Também podem ser causadas por cárie, que deixa a dentina muito fina, ou ainda por traumas.
Além de testar o selamento da perfuração na raiz, a professora diz que foram modificadas algumas composições, como o radiopacificador, por exemplo, um produto colocado no cimento para que ele fique visível na radiografia.
- Depois disso, fomos saber se ele era viável biologicamente. Primeiro testamos em ratos, e ele mostrou um resultado melhor, causando menos inflamação no tecido do que o produto existente no mercado, por isso levou a uma recuperação mais rápida.
Fonte: R7