quinta-feira, 3 de março de 2011

Pesquisadores da USP desenvolvem gel contra erosão dentária

Uma substância encontrada no chá verde foi o caminho para o desenvolvimento de um composto eficaz para combater a erosão dentária. Na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP, a professora Marília Buzalaf, do Departamento de Ciências Biológicas da FOB, em conjunto com outros pesquisadores, realizou alguns testes que demonstram a eficácia da catequina (nutriente de ação antioxidante encontrada no chá verde) como inibidora das metaloproteinases da matriz (MMP).



Essas enzimas, quando ativadas, são responsáveis pela erosão da dentina, a camada mais interna do dente. ?Uma das substâncias testadas pelos pesquisadores como inibidores da MMP é a epigalocatequina galate (EGCG), um flavonóide (grupo de compostos orgânicos encontrados em diversas espécies vegetais e em alimentos processados como o chá) que também é encontrado no chá verde.?O grupo responsável pela pesquisa produziu géis à base de inibidores de enzimas como a epigalocatequina galate, encontrada no chá verde, a clorexidina e o sulfato ferroso.



Os géis foram aplicados sobre a dentina, posteriormente exposta à substâncias ácidas, como refrigerantes. Enquanto o bochecho com o chá inibiu 30% da corrosão, a utilização do gel, de todos os inibidores, garantiu 100% de inibição em uma única aplicação.?Os géis foram patenteados pela Agência USP de Inovação, e já foi dada a entrada do pedido de licenciamento que viabiliza a sua comercialização.



A ideia é que pacientes com o problema possam ir até o consultório odontológico receber a aplicação profissional do gel desenvolvido na FOB.?O próximo passo é um estudo de maior duração que avalie os efeitos a longo prazo do gel e descubra de quanto em quanto tempo é necessário uma nova aplicação.



Fonte: USP








Fim do famoso barulho do motorzinho de dentista

Pesquisadores britânicos desenvolveram um dispositivo que elimina o ruído das brocas dos Cirurgiões-Dentistas. De acordo com a pesquisa, a invenção pode ajudar as pessoas a superar o medo de ir ao Cirurgião-Dentista. O som da broca é uma das principais causas de ansiedade durante as visitas ao consultório.



O novo dispositivo permite que os pacientes escutem músicas em um tocador de MP3, e assim o som da broca é eliminado.



O dispositivo é semelhante aos fones de ouvido capazes de cancelar ruídos. Mas os pacientes ainda poderão ouvir a voz do Cirurgião-Dentista, porque nem todos os sons ambientes serão filtrados.



Os pesquisadores notaram que não seria suficiente apenas reduzir o ruído da broca, mas teriam de eliminá-lo completamente. A questão principal do projeto era conseguir que o paciente pudesse escutar o Cirurgião-Dentista.



Segundo o estudo, o dispositivo transforma os sons do consultório do Cirurgião-Dentista em um sinal digital. Um chip especial chamado de processador digital de sinais analisa os sons captados por um microfone instalado perto da broca dental.

Ele produz uma onda sonora invertida para neutralizar o ruído no sinal transmitido pelo fone de ouvido.



O dispositivo foi desenvolvido por especialistas do King’s Colllege London, da Brunel University e da London SouthBank University, a partir de uma ideia do professor Brian Millar, do Instituto Dentário do King’s College.



A equipe de pesquisadores agora está procurando investidores para tentar tornar o dispositivo disponível comercialmente.



Fonte: BBC Brasil
















Desconto em sites de compras coletivas para clareamento dental é ilegal diz CROSP

Sites de compra coletiva anunciam promoções para o serviço. Conselhos de odontologia podem punir os anunciantes.

As ofertas de clareamento dental em sites de compra coletiva estão na mira dos conselhos regionais de odontologia (CRO). “Elas são ilegais e ferem a ética da categoria”, afirma Joaquim Guilherme Vilanova Cerveira, presidente do CRO do Rio Grande do Sul.

Com o avanço repentino desta nova categoria de ofertas, as denúncias de irregularidade têm sido feitas em todo o País e já obrigaram os CROs de diversos estados a se manifestar. “Além do Rio Grande do Sul, tivemos esse problema nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Bahia”, diz Cerveira.

De acordo com a Lei 5.081/66, que regulamenta o exercício da odontologia, não é permitido ao dentista “anunciar preços e modalidades de pagamento.” Contudo, muitos sites de compra coletiva veiculam ofertas de até 90% sob o valor normalmente cobrado em consultório.

Outro problema, segundo Cerveira, é que os anúncios oferecem algo que nem sempre pode ser cumprido. “Existem restrições para o clareamento dental, nem todo mundo vai ter um bom resultado. Para aplicar algum procedimento, é preciso antes avaliar o histórico de saúde do paciente”, explica.

Existem ofertas de clareamento a laser - feito em consultório - e clareamento caseiro, que tem apenas acompanhamento do dentista. Cada procedimento tem suas vantagens e desvantagens. Segundo o CRO do Rio Grande do Sul, algumas ofertas chegam a ser mais ousadas e anunciam resultados impossíveis, como a garantia de ter os dentes clareados. “Isso é propaganda enganosa. Não há como garantir sem antes fazer uma avaliação do paciente”, afirma Cerveira.

Multas

O dentista que tiver um anúncio em site de compra coletiva flagrado está sujeito a punição. Segundo o CRO-RJ, a primeira denúncia implica em advertência, sendo que as seguintes podem gerar multas de té R$ 10 mil. Caso o profissional insista em fazer novos anúncios, ele pode ter o registro suspenso por 30 dias e até ser cassado.

“Estamos estudando com o Ministério Público uma forma de punir também os sites de compra coletiva. O serviço de um dentista não pode ser ofertado como o serviço de um restaurante. É contra a lei”, diz Cerveira.

O iG Saúde entrou em contato com um site de compra coletiva que estava oferecendo clareamento dental caseiro com 76,7% de desconto em sua página. Um dos responsáveis pelo site informou desconhecer qualquer lei que proibisse este tipo de atividade e acrescentou que irá verificar como proceder diante da situação.

Denúncia

A recomendação dos conselhos de odontologia é não comprar serviços ou produtos odontológicos em sites de compra coletiva. Caso encontre alguma oferta, ela pode ser denunciada por telefone ou por email para o conselho da região. A lista de todos está no site do Conselho Federal de Odontologia.

Fonte: IG
























Nova abordagem beneficia estudos de doença periodontal

A descoberta de uma nova abordagem para as pesquisas genéticas envolvendo doenças periodontais rendeu a um grupo de cientistas liderado pelo professor Gustavo Pompermaier Garlet, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, o “Prêmio de Impacto Clínico” outorgado pela Academia Americana de Periodontia (AAP). Por meio desta nova abordagem, o grupo descobriu cinco genes associados a uma maior suscetibilidade para a ocorrência da periondontite, e um gene que confere uma resistência maior para o desenvolvimento da doença.

Análise de três grupos: com gengivite, com periodontite e uma mistura dos dois grupos

A periodontite é caracterizada por uma inflamação na gengiva (gengivite). Esta inflamação pode evoluir e se tornar crônica, levando à destruição dos tecidos de suporte dos dentes (parte da gengiva, do ligamento periodontal – que liga o osso ao dente – e do osso alveolar). Esse quadro (periodontite) pode levar à mobilidade dentária e, em estágio avançado, ocasiona a perda total dos dentes, além de se mostrar associado a algumas alterações sistêmicas, como diabetes e problemas do sistema cardiovascular.
 
O professor Garlet explica que, algumas pessoas sem medidas de higiene bucal adequadas desenvolvem gengivite, mas a doença nunca evolui para o estágio mais grave, a periodontite. “Uma pessoa com higiene bucal adequada não terá a doença. Mas quando a higiene bucal é inadequada, a incidência e a severidade da periodontite podem ser variar sob influência da predisposição genética”, esclarece.

Garlet explica que outros cientistas já haviam tentado associar a doença com aspectos genéticos, mas os resultados eram sempre negativos ou inconsistentes. Isso acontecia porque as pesquisas sobre periodontite costumavam utilizar dois grandes grupos: pessoas com e sem a doença. Na comparação genética entre esses grupos, os resultados apontavam que os genes não tinham nenhuma ou pouca influência no desenvolvimento da doença, ou ainda não ofereciam base para se obter uma resposta precisa. Esses pesquisadores não levavam em conta a existência de pessoas com gengivite crônica que nunca desenvolviam periodontite e não associaram esse fato a um possível gene que representasse um fator protetor contra a doença.
 
Gengivite x periodontite

A abordagem inovadora do grupo liderado por Garlet consistiu em analisar três grupos: o primeiro era formado por pacientes com gengivite; no segundo, foram incluídas pessoas com periodontite. O terceiro grupo (controle) – assim como nos estudos realizados anteriormente por outros pesquisadores -, era formado por pessoas com e sem gengivite ou periodontite, e que, na verdade, representam uma mistura das duas populações representadas nos outros grupos. Cada grupo tinha cerca de 200 pessoas, totalizando aproximadamente 600 participantes, sendo todos do estado de São Paulo.

Os pesquisadores coletaram a saliva dos participantes, realizaram extração do DNA e analisaram o material pela técnica PCR Real Time, que descrimina quais são as variantes genéticas presentes em cada amostra.
 
A seleção dos participantes começou em Ribeirão Preto, em 2001, durante o mestrado do professor Garlet, junto a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Esta coleta teve continuidade durante o seu doutorado e pós-doutorado ainda na FMRP, e depois de sua contratação como docente junto à FOB. Finalmente, em um estágio de pós-doutorado na Universidade de Pittsburgh, o professor Garlet aprimorou seu conhecimento nos aspectos genéticos necessários para a conclusão do estudo, finalizado em 2010, na FOB.

“Com esta nova abordagem conseguimos identificar alguns genes como fatores de risco significantes para a proteção ou susceptibilidade à doença”, aponta Garlet. Segundo ele, do ponto de vista técnico, o avanço apresentado pelas pesquisas do grupo não é tão grande; mas a abordagem inovadora e a sua potencial aplicação a novos estudos na área sim.

Prêmio

O prêmio foi concedido durante o 96º Encontro Anual da Academia Americana de Periodontia (AAP), realizado no Centro de Convenções do Hawaii, em Honolulu, nos Estados Unidos, no período de 30 de outubro a 2 de novembro de 2010.

Também participaram do estudo os pesquisadores Ana Paula Campanelli, professora associada da FOB; Ana Paula Favaro Trombone, do Instituto Lauro de Souza Lima (bolsa JP-FAPESP); Cristina Ribeiro Cardoso, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP; João Santana Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP; Walter Martins Jr, da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP); além de Ariadne Letra, Renato Menezes e Alexandre Vieira, da Universidade de Pittsburgh.

 
Mais informações: (14) 3235-8690 ou e-mail garletgp@usp.br, com o professor Gustavo Pompermaier Garlet

Fonte: Agencia USP