quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um sorriso é mais do que lábios e dentes


Uma forma de reconhecer sorrisos é comparar a geometria do rosto de uma pessoa a um sorriso padrão. Durante uma ligação telefônica, quatro anos atrás, Paula Niedenthal começou a se perguntar o real significado de um sorriso. A chamada vinha de um repórter russo, que entrevistava Niedenthal a respeito de sua pesquisa em expressões faciais.

No fim ele disse: "Então você é americana?", lembrou Niedenthal.

Na verdade, ela é, embora naquela ocasião estivesse morando na França, onde havia assumido um cargo na Universidade Blaise Pascal.

"Então você deve saber", continuou o repórter russo, "que os sorrisos americanos são todos
falsos e que os sorrisos franceses são todos verdadeiros".

"Uau, é tão interessante que você diga isso", respondeu Niedenthal, diplomaticamente.

Enquanto isso, ela imaginava como seria passar a maior parte de sua vida cercada por sorrisos falsos.

"Repentinamente, eu estava interessada em como as pessoas cometem esse tipo de erro", disse Niedenthal. Mas encontrar a fonte do erro exigiria saber o que realmente são os sorrisos de onde eles vêm e como as pessoas os processam. E, embora o sorriso seja uma das coisas mais comuns nos humanos, Niedenthal descobriu que a explicação da ciência para o assunto já estava bastante desgastada.

"Acho que isso está bem errado", disse ela. "Acho que não sabemos muito sobre isso, e é algo que eu quero estudar".

Com esse objetivo, Niedenthal e seus colegas analisaram uma grande quantidade de estudos, de exames do cérebro a observações culturais, para construir um novo modelo científico do sorriso.

Eles acreditam que poderão explicar não só a fonte dos sorrisos, mas como as pessoas
os percebem.

Numa edição recente da revista "Behavioral and Brain Sciences", eles afirmam que
os sorrisos não são simplesmente a expressão de um sentimento interno. Os sorrisos, na verdade, são apenas a parte mais visível de uma fusão íntima entre duas mentes.

"É uma análise impressionante e sofisticada", afirmou Adam Galinsky, psicólogo social da Universidade Northwestern.

Psicólogos já estudam cuidadosamente o sorriso há décadas, mas principalmente a partir de
fora.

Quando o músculo zigomático de nossa bochecha se contrai, ele puxa para cima o canto da
boca. Mas um sorriso é muito mais do que isso.



"Um sorriso não é algo flutuante, como o Gato de Cheshire", disse Niedenthal. "Ele é ligado
ao corpo". Algumas vezes os lábios se abrem e revelam dentes; em outras, eles ficam selados.

Às vezes os olhos se afinam. O queixo sobe com alguns sorrisos, e cai com outros.

Catalogar essas variações é um importante primeiro passo, disse Niedenthal, mas não trará uma resposta ao enigma dos sorrisos. "As pessoas gostam de pegar dicionários dos músculos faciais para fazer um gesto em particular, mas não há profundidade nessa abordagem", disse ela.

Alguns pesquisadores tentaram ir mais longe, para entender os estados da mente que produzem um sorriso. Nós os enxergamos como demonstrações de alegria; e realmente, pesquisadores mostraram que a intensidade de contração dos músculos zigomáticos de uma pessoa é proporcional à felicidade que ela diz sentir. Mas isso está longe de ser uma regra.

Os mesmos
músculos podem se contrair quando essa pessoa sente tristeza ou aversão, por exemplo.

A ligação entre sentimentos e rostos é ainda mais misteriosa. Por que qualquer sentimento nos faria repuxar nossas bocas, afinal? Esta é uma pergunta sobre a qual Darwin ponderou por anos. Ele dizia que uma dica importante era encontrada nos rostos dos macacos, que também repuxam as bocas para cima. Essas expressões, segundo Darwin, também eram sorrisos.

Em outras palavras, Mona Lisa herdou seu intrigante sorriso de seu ancestral comum com os chimpanzés.

Primatologistas conseguiram classificar sorrisos em algumas categorias. Niedenthal acha que
os sorrisos humanos deveriam obedecer à mesma classificação. Os chimpanzés às vezes sorriem por prazer, como quando seus bebês brincam entre si. Mas os chimpanzés também sorriem quando estão tentando fortalecer um vínculo social com outro chimpanzé.

Niedenthal acha que alguns sorrisos humanos também se encaixam nessas categorias. E mais, eles podem ser diferenciados por certas expressões.

Um sorriso constrangido é geralmente acompanhado por uma queda do queixo, por exemplo,
enquanto um sorriso de cumprimento traz sobrancelhas levantadas.

Os chimpanzés também podem sorrir não por prazer ou vínculo social, mas por força. Um
chimpanzé dominante força um sorriso e mostra os dentes. Niedenthal diz que os humanos também usam esse sorriso de poder, muitas vezes levantando o queixo para olhar os outros de cima.

Segundo Niedenthal, um sorriso dominante significaria "você é um idiota, eu sou melhor que
você".

Porém, fazer uma expressão facial específica é apenas o primeiro passo de um sorriso.
Niedenthal afirma que a forma como a outra pessoa interpreta o sorriso é igualmente
importante.

Em seu modelo, o cérebro pode usar três maneiras diferentes para distinguir um
sorriso de alguma outra expressão.

Uma forma de reconhecer sorrisos é comparar a geometria do rosto de uma pessoa a um sorriso padrão. Uma segunda maneira é pensar sobre a situação na qual alguém faz uma expressão, julgando se realmente caberia um sorriso ali.

Mais importante, segundo Niedenthal, as pessoas reconhecem sorrisos ao imitá-los. Quando uma pessoa sorridente troca olhares com outra pessoa, o observador involuntariamente reproduz o sorriso.
Num novo artigo, Niedenthal e seus colegas citam diversos estudos indicando que essa
imitação ativa muitas das mesmas regiões do cérebro que estão ativadas na pessoa sorridente.

Um sorriso feliz, por exemplo, é acompanhado por atividade nos circuitos de recompensa do
cérebro _ e olhar para essa sorriso feliz também pode estimular esses circuitos.

Imitar um sorriso amigável produz um padrão diferente de atividade cerebral. Isso ativa uma
região do cérebro chamada de córtex orbitofrontal, que diferencia os sentimentos que nutrimos pelas pessoas mais próximas. O córtex orbitofrontal entra em atividade quando pais veem seus próprios filhos sorrirem, por exemplo, mas não para outras crianças.

Se o modelo de Niedenthal estiver correto, estudos de sorrisos dominantes devem revelar
padrões distintos de atividade cerebral. Certas regiões, associadas a emoções negativas,
devem entrar em atividade.

Incorporar sorrisos não só permite que as pessoas reconheçam sorrisos, diz Niedenthal, mas
também permite que elas reconheçam falsos sorrisos. Ao imitar involuntariamente um sorriso
falso, elas não experimentam a mesma atividade cerebral de um sorriso autêntico. A
incompatibilidade as faz saber que há algo errado.

Outros especialistas em expressões faciais aplaudem o novo modelo de Niedenthal, mas muitos deles concordam que partes do sistema precisam de um ajuste fino. "O modelo dela se encaixa realmente bem na dimensão horizontal, mas tenho minhas dúvidas quanto à vertical", disse Galinsky.
Ele questiona se pessoas observando um sorriso dominante também poderiam, elas
mesmas, experimentar o sentimento de poder. Na verdade, ele diz que, em tais encontros, as
pessoas procuram evitar contato com os olhos, algo que Niedenthal considera central em seu
modelo.

A própria Niedenthal está atualmente testando as previsões do modelo com seus colegas. Em um estudo, eles testaram a ideia da imitação ajudar no reconhecimento de sorrisos sinceros.

Eles mostraram fotos de pessoas sorridentes a um grupo de estudantes _ alguns dos sorrisos eram autênticos e outros eram falsos. Os estudantes conseguiram prontamente identificar a
diferença entre os dois tipos.

Em seguida, Niedenthal e seus colegas pediram que os estudantes colocassem um lápis entre seus lábios. Essa simples ação envolveu músculos que, livres, poderiam produzir um sorriso.

Incapazes de imitar as expressões das fotos, os estudantes tiveram muito mais dificuldades em diferenciar os sorrisos verdadeiros dos falsos.

Então, os cientistas conduziram uma variação do experimento em outro grupo de estudantes.
Eles mostraram as mesmas fotos ao segundo grupo, mas fizeram-nos imaginar que aqueles rostos sorridentes pertenciam a vendedores numa loja de calçados. Em alguns casos os vendedores teriam acabado de vender um par de sapatos aos estudantes _ e seus sorrisos bem poderiam ser de satisfação.

Em outros casos os vendedores ainda estariam tentando vender os sapatos _ e os
sorrisos poderiam ser apenas uma forma de galanteio ao cliente.

Na realidade, os cientistas usavam uma combinação de sorrisos reais e falsos para os dois
grupos de vendedores. Quando os estudantes estavam livres para imitar os sorrisos, seu
julgamento não foi afetado pela ação do vendedor de sapatos.

Mas quando os estudantes colocaram um lápis na boca, eles não conseguiam mais usar a
imitação.

Em vez disso, eles tendiam a acreditar que os vendedores tentando fechar a venda
não estavam sendo autênticos _ mesmo quando os sorrisos eram verdadeiros. Da mesma forma, eles tendiam a dizer que os vendedores já com a venda finalizada estavam sorrindo de verdade, mesmo quando não estavam.

Em outras palavras, eles foram forçados a se basear nas circunstâncias do sorriso, e não no
sorriso em si.

Niedenthal e seus colegas também testaram a importância do contato com os olhos para o

sorriso. Eles fizeram estudantes examinarem uma série de retratos, como "Laughing Cavalier", do pintor do século XVII Frans Hals. Em algumas telas, o modelo olhava para além do espectador, enquanto em outras o olhar era olho a olho. Em algumas ocasiões, os estudantes examinaram as pinturas com barreiras escondendo os olhos.

Os participantes classificaram o quão emocional havia sido o impacto da pintura. Niedenthal e
seus colegas descobriram, conforme as previsões, que as pessoas sentiam maior impacto
emocional quando os olhos estavam descobertos. O sorriso era idêntico nas duas pinturas, mas não era suficiente por si só. Além disso, as diferenças eram maiores quando o rosto do
retrato fazia contato direto com o olhar.

Niedenthal suspeita que ela e outros psicólogos estão apenas começando a aprender os segredos do sorriso, algo que os artistas já sabiam séculos atrás.

Algum dia pode até ser possível entender por que o sorriso de Mona Lisa é tão poderoso.



"Eu diria que esse quadro fez tanto sucesso porque você estabelece contato de olhar com ela", disse Niedenthal. "O fato de o significado daquele sorriso ser complicado é informado de
forma dúbia, pois sua própria simulação dele é misteriosa e complexa".

Fonte: CROSP/Último Segundo

Boa alimentaçãopode evitar cáries e ajudar na saúde bucal


Ninguém contesta que um sorriso pode abrir muitas portas e aproximar pessoas em menos de um segundo.


É fácil nos sentirmos à vontade quando somos recebidos em algum lugar com um honesto e
despretensioso sorriso.


No entanto, a alegria e a afeição de um sorriso podem mascarar o que de fato existe por trás
de dentes aparentemente saudáveis.


A saúde bucal engloba dentes, gengiva e mucosa oral. Porém, a maioria das pessoas se preocupa apenas com os dentes, menosprezando os cuidados com o resto.

Este é o principal fator que leva 89% da população, ente 15 e 19 anos, a ter problemas de cáries, segundo o Ministério da Saúde.


Muitas doenças dentárias também podem ser influenciadas, em algum grau, pela dieta e
nutrição.


A manutenção de uma dieta saudável, com baixa ingestão de açúcares e alto consumo
de frutas, vegetais e grãos integrais, tem efeito protetor em muitos aspectos da saúde bucal

e geral.


Estudos científicos comprovaram que o alto consumo de açúcar está diretamente ligado ao nível de cárie das pessoas. Ou seja, quanto maior o consumo de açúcar, maior a incidência de cáries e maior a gravidade dos problemas causados por elas.


Doenças bucais não somente demandam tratamento de alto custo, como também podem causar dor,ansiedade e comprometimentos estéticos e funcionais. Elas eventualmente ocasionam perda dentaria com impacto negativo na dieta e na qualidade de vida.


Portanto atente para a sua dieta, pois ela pode te ajudar a sorrir mais e melhor.


Fonte : Diário de Pernambuco

O deficit da saúde bucal

As condições precárias de assistência e a baixa qualidade de vida do recifense receberam nova evidência após pesquisa nacional que colocou a capital pernambucana entre as piores do País em saúde bucal infantil.

A situação é tão crítica que nem o fato de se ter dobrado a assistência entre 2004 e 2005
alterou substancialmente a realidade das comunidades mais pobres do município.

E ainda são fatores agravantes a falta de água com flúor nas regiões carentes, e o excesso de açúcar na dieta, geralmente acompanhado da baixa frequência de escovação.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, divulgada há pouco mais de um mês, menos da metade dos recifenses com 5 anos de idade está livre de cáries, índice quase 10% mais baixo do que os de Fortaleza e de Salvador. A taxa de dentes cariados, perdidos ou obturados ainda é maior do que a de cidades como Aracaju e Teresina.

O professor Paulo Goes, da Faculdade de odontologia da Universidade de Pernambuco, coordenador do estudo no Norte e parte do Nordeste, fez diante dos dados um prognóstico preocupante: uma em cada cinco crianças recifenses deve perder pelo menos um dente antes de completar 15 anos.

Para o professor Goes, o cenário exige firme decisão política dos gestores públicos: ‘Proteger a boca é garantir saúde e combater a pobreza”, afirmou para o JC em matéria publicada no último dia 30.

A pesquisa fez parte do Brasil Sorridente – Política Nacional de Saúde Bucal, lançada no
governo Lula, com o objetivo de reavaliar as estratégias de assistência à saúde básica da
população carente.

De acordo com o coordenador de Saúde Bucal no Recife, Bruno Freitas, a rede de atendimento dentário precisa efetivamente ser ampliada, pois há comunidades sem adevida atuação de dentistas, embora se obedeça à lógica nacional de um dentista para cada
duas equipes do Programa Saúde na Família.

São 250 dentistas na rede pública municipal, com apoio de 30 técnicos e 250 auxiliares. Entre janeiro e novembro de 2010 foram efetuados mais de 273 mil procedimentos nos serviços de odontologia do SUS no Recife.

Segundo os números oficiais, as equipes supervisionaram 241.636 escovações nas escolas e nos postos de saúde, e quase 56 mil recifenses foram ao dentista pela primeira vez na vida. A cada três meses, 150 a 200 mil escovas são distribuídas no município. Os números, no entanto, não desmentem os fatos constatados.

Reconhecendo a deficiência, o coordenador ponderou que os pesquisadores podem ter visitado áreas em que o déficit de atendimento é maior, ao contrário do que teria ocorrido em outras cidades.

De qualquer maneira, a referência do novo banco de dados nacional sobre saúde bucal, com
informações de 38 mil pesquisados em 177 municípios, põe a nossa capital em alerta.

Estamos marcando passo enquanto o País melhora, num quesito fundamental para o desenvolvimento individual e a luta contra a miséria. Nos últimos oito anos, registrou-se o aumento de 30% o número de crianças sem cárie no Brasil, e caiu em 26% a sua incidência em crianças de 12 anos – faixa etária considerada crucial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando a dentição está quase completa. Apesar dos avanços, foi revelado também outro déficit, na ponta extrema
da população: sete milhões de idosos necessitam de próteses dentárias totais ou parciais.

É lamentável que, enquanto o governo federal comemora os indicadores como um sinal de aumento da prevenção a novas gerações de desdentados, a capital pernambucana exibe a clara necessidade de acelerar a política na área, a fim de acompanhar o passo de outros municípios no combate ao déficit da saúde bucal.

A questão de interesse social, tem repercussões na formação de cada indivíduo, sendo preciso levar em conta o prejuízo emocional para osdesdentados infantis, numa sociedade em que o ideal estético, transformado em sonho de consumo, é perseguido ansiosamente por todos, em especial, pelos mais jovens.

O sorriso do futuro do Recife está comprometido. Os dentes de nossas crianças merecem receber atenção prioritária da gestão municipal.
 
Fonte: JORNAL DO COMMÉRCIO